Alegria na Tristeza!

Tem dias que a gente acorda meio cabisbaixo, meio dormindo, meio triste.
Nesses dias, tudo é muito chato, sem pique, e o melhor lugar do mundo é onde se pode ficar sozinho.

Para os homens, tpm é um bicho de sete cabeças, o qual só pode ser vencido depois do primeiro sorriso tirado do rosto da cônjuge.
Talvez esse truque funcione, mas comigo não.
Esse momento pode ser visto com êxtase feminino, eu o vejo mais ou menos assim – Há muita alegria meado essa dramaturgia.

Não vejo o porque dessa persistência em mudar o status a todo momento, a tristeza pode ser tão implacável quanto a felicidade, e é, desde que deixe de ser vista como devastadora, um mal momento, basta ser bem acolhida, compreendida.

Eu gosto dessa sensação de estar triste, e acho que nos privamos demais, queremos sempre tornarmos mais felizes. E lá se vai a chance de nos sentirmos bem, seja alegre ou triste.

Talvez isso seja um esteriótipo de como alguém vive bem, uma das privações que nos submetemos para provar isso. Gostamos muito de estampar nossa felicidade – Menina meiga, carinhosa, sempre sorrindo – cansei de seguir condutas com características que te incluem em grupos seletos.
Não sou meiga, nem delicada. Aceito sem titubear meu lado masculino, e gosto. O que não me impede de ter meu lado menininha, vaidosa, que pinta as unhas, não sai de casa sem maquiagem.

Eu sei sim ser delicada, carinhosa e meiga, e isso não me impede de ser um pouco de tudo.

Dois

Eu quero te deixar partir sem saber nem lugar, nem número de telefone
Quero que me digas o que quiser, não porque sou tua dona
Eu quero ser tua cúmplice, nunca  te aprisionar…

Porque eu te amo

Em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.  

Fernando Pessoa


Hoje eu posso te dizer que nada se compara à angustia de esperar que tudo volte a ser como era antes, sem mais nem menos felicidade, sem mais nem menos pessoas, sem mais ou menos tumultos, sem mais nem menos. Eu queria, pela primeira vez, eu juro, estacar, ancorar, parar, pousar, não no tempo, nem em alguém, eu queria um pouco de tédio, de calma, de tranquilidade. A tranquilidade poderia ser a minha felicidade hoje, amanhã, poderia viver vários dias a fio, fazendo nada, desde que eu pudesse “acordar para o tempo e para o tempo parar”.

Agora que eu já consigo ver que sou tão pouco como quem desdenho, sei também como pode-se fazer da crítica meu espelho.
Então posso dizer que sou tudo o que falam de mim e por mim, e o que deixaram de falar também é verdade.